Na hora de reformar ou apenas trocar uma lâmpada queimada, a maioria das pessoas comete o erro de olhar apenas para a potência (os Watts). Mas, segundo o arquiteto e especialista em design de interiores, João Araújo, docente do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNAMA Santarém, existe um detalhe na embalagem que manda muito mais no seu bem-estar: o "K" de Kelvin. Unidade que mede a temperatura de cor, ela define se o seu ambiente será um refúgio de descanso ou um centro de atenção. “A temperatura de cor é um dado fundamental. Existe um estigma de que a luz quente (amarela) ilumina menos, mas isso não é verdade. Ela apenas comunica algo diferente ao nosso cérebro”, destaca.
Acorda ou põe pra dormir - Na avaliação do especialista, não existe luz certa ou errada, mas sim a conveniência para cada momento. A luz quente (2700K a 3000K) é a aliada do relaxamento. “Ela se assemelha à luz do sol no nascente ou poente. É importante para o cérebro se preparar para um bom sono”, explica João. Já a luz fria (acima de 6000K) é o "café" da iluminação: estimula o cérebro e promove o estado de atenção, sendo ideal para ambientes laborais ou cirúrgicos.
O trauma do calor e o "efeito farmácia" - Para quem vive no calor de Santarém, o rechaço à luz amarela tem uma explicação histórica. Antigamente, as lâmpadas incandescentes transformavam 90% da energia em calor. “Talvez isso explique o receio com a luz amarela em climas quentes, pela associação com o calor emitido”, pontua o arquiteto. No entanto, com o LED atual, essa emissão de calor é mínima, e o uso excessivo do branco frio pode acabar deixando a casa com uma indesejada "cara de hospital ou farmácia".
Foco no trabalho, descanso nos olhos - No home office ou no cantinho de estudos, o segredo é o equilíbrio. João destaca que saber dosar a iluminação geral, a localizada e a de tarefa é a chave para evitar o ofuscamento. “A iluminação de tarefa reforça a atenção apenas onde precisamos, como na mesa. É fundamental para não sofrer fadiga visual e dor de cabeça”, orienta.
A luz que "mata" (ou salva) o projeto - A iluminação tem o poder de alterar a percepção das cores das paredes e móveis. Uma luz branca demais pode gerar uma sensação puramente clínica, mas João lembra que há exceções fundamentais: “Para idosos, a luz mais branca é recomendável, pois a perda natural da percepção visual na velhice dificulta enxergar tons de azul e verde”.
Sem regras rígidas, mas com bom senso - Para quem vive em casas com ambientes integrados, como sala e cozinha, a dica é evitar mudanças bruscas. João recomenda trabalhar com zonas neutras. “O ideal é usar entre $
2700K e 3000K na sala de descanso e algo entre 3500K e 4000K na cozinha, focando a luz forte nas bancadas de trabalho para evitar sombreamento”, detalha.
Guia rápido para o santareno - Para quem quer transformar a casa gastando pouco, trocar a temperatura das lâmpadas já garante um upgrade imediato no conforto e no "luxo" percebido do imóvel. O arquiteto finaliza com um roteiro prático:
Sala de TV e Quarto: Entre 2700K a 3000K (Luz quente/relaxante).
Banheiro, Cozinha e Escritório: Entre 3500K a 4000K (Luz neutra/funcional).
O recado final é sobre equilíbrio: “A luz certa melhora o ambiente e a sua saúde. É possível ter uma casa funcional e aconchegante ao mesmo tempo, basta saber escolher o Kelvin certo”.

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